segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Castelo de Vêves

   O Castelo de Vêves, fica a alguns quilómetros a sudeste da cidade de Dinant, uma jóia arquitectónica, e um guardião das memórias passadas!  





   O primeiro castelo foi construído no início do século VIII, como propriedade de Pépin de Herstal no século VIII. No século XII, o castelo entrou nas mãos de Wauthier de Beaufort,  através do casamento.  
   Em 1200, o castelo sofreu um incêndio mas foi reconstruído em 1230. Durante a Guerra da Vaca (1275-1277), os Lordes de Beaufort lutaram ao lado do Conde de Luxemburgo e do Conde de Namur. Em 1466, Louis de Beaufort participou do cerco de Dinant e o castelo foi novamente queimado e reconstruído.
   Durante os séculos XVIII e XIX, os senhores de Beaufort e suas esposas desempenharam papéis importantes na política francesa, belga e holandesa. Através do casamento, o nome de família tornou-se De Liedekerke Beaufort.
  





 


No século XX, o Conde Hadelin de Liedekerke de Beaufort abriu o castelo ao público: Ele doou o castelo a uma fundação que restaurou o castelo sob a presidência de seu filho Christian.
   A família habita ainda no castelo e continuam a preservar e dirigir esta casa histórica com grande paixão e atenção aos detalhes.

   Os ambientes são a encarnação do gosto e refinamento. Os quartos do castelo são pontilhados com mobiliário do século XVIII, porcelana rara, recordações históricas e pinturas magistral que formam uma decoração elegante e delicada.










sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Maison Leffe

   O Domingo amanheceu chuvoso, mas nem isso nos afastou da nossa ideia de continuar o passeio pela zona de Dinant. Nas vésperas, já tinhamos decidido deixar a Maison Lefe para domingo. Depois de sairmos do Memorial, uma vez que já não teriamos tempo de fazer uma visita com mais demorada.






   A cerveja Leffe é uma das mais tradicionais da Bélgica. Actualmente, a cerveja é fabricada em Leuven, na Brasserie Stella Artois. Na antiga Abadia  resta apenas o museu e toda a história da famosa cerveja. No mesmo espaço existe ainda um hotel e um restaurante.





  A abadia de Notre-Dame de Leffe, foi fundada em 1152 por uma ordem religiosa conhecida pela hospitalidade. Os monges começaram a produzir cerveja, em 1240. Era muito comum a fabricação de cerveja pelos monges, por ser um tipo de bebida que, ao mesmo tempo em que aquecia o corpo, também fornecia todos nutrientes necessários. Além disso, a cerveja tinha um importante papel sanitário, uma vez que impedia que epidemias se espalhassem através da água contaminada, já que o processo de fermentação, fervia a bebida e eliminava vírus e bactérias.


 
   No século XV, a Abadia abria as portas a peregrinos de toda a parte, chegados para obter a bebida revigorante que ali se produzia.
    Mas a Abadia sofreu várias intempéries, naturais e humanas, através dos anos: uma enchente em 1460, um incêndio em 1466. Em 1794, durante a Revolução Francesa, os monges tiveram de abandonar a Abadia. A produção de cerveja continuou em uma escala menor até 1809, quando foi interrompida completamente. Os monges só regressaram à Abadia em 1902, e em 1937 foi oficialmente declarada como património histórico. Na década de 50, as receitas de 1240 foram resgatadas e ainda agora continuam a ser mantidas.




   O museu localiza-se na antiga capela, num espaço repleto de belos vitrais. Vídeos ilustrativos contam a história da cerveja tradicional de Dinant, como era a vida dos monges, quais são as cervejas produzidas, ingredientes e objectos usados na produção. 


 



É feita a descrição de cada tipo de cerveja, com as devidas indicações de harmonização, os seus cheiros,  ingredientes e objectos usados na produção.


 
 





    Depois disso, vem a parte da degustação, num bar bem catita!



   A Leffe demorou 18 meses a criar um novo copo, para melhorar esta experiência . Muito bonito, o copo, não concordam?





   Beber uma Leffe é um ritual onde todos os sentidos são chamados a intervir. Segundo os puristas, beber uma Leffe é ter tempo para:

- Admirar a espuma cremosa em todo o seu esplendor : o novo copo defende a cor de Leffe e melhora sua espuma, com uma letra gravada L no fundo do vidro: o L promove uma liberação contínua de bolhas, o que significa que a espuma permanece até ao último gole. 

- Tocar - A nova haste é decorada com uma gravura tridimensional da abadia Leffe, você se sentirá parte da rica história da Leffe. Também permite segurar o copo facilmente, sem necessidade de aquecer o conteúdo com a mão. Desta forma, a cerveja mantem-se na temperatura ideal. 

-  Cheirar – a forma arredondada do copo permite a concentração do bouquet de aromas. O copo deve ser girado ligeiramente para libertar todos os aromas, que devem ser cheirados e sentidos.

- Provar – o copo é largo o suficiente para que o nariz possa sentir o aroma da cerveja no momento em que a bebemos.


    E pasme-se, como eu me pasmei! Ao fim de tantos anos de vida é que descubro que afinal de contas até gosto de cerveja! ainda não tinha era encontrado "a" cerveja! e aqui estou em, em plena cidade de Dinant a ficar rendida à  Leffe Ruby: uma linda cor vermelha, numa mistura de frutos vermelhos, rosa e madeira!  O M. optou pela Leffe Brune, a versão original da Leffe, com um travo de caramelo.





    E no final, ainda temos direito a uma oferta: dois lindos copos, para podermos degustar as nossas Leffe em casa!!! Adorei!

    Mais detalhes no  site oficial da Maison Leffe: http://www.leffe.com/en/maison-leffe




   E antes de seguirmos viagem até ao Castelo de Vêves, ainda tivémos tempo de admirar Dinant uma vez mais :-)

                             


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Memorial às vítimas civis de 23 de Agosto de 1914

   Durante a I Grande Guerra., devido em grande parte à sua localização geográfica, Dinant foi palco de várias confrontos entre os exércitos francês e alemão.

Dinant antes dos ataques - 1914
Créditos: Matélé comme en 14 

    A 15 de Agosto de 1914, as tropas alemãs capturaram a Cidadela de Dinant, mas esta foi recapturada por um contra-ataque francês. As tropas francesas passaram os dias seguintes a fortificar as passagens do rio Meuse e em constantes trocas de tiro com os soldados alemães.  

Créditos: Ville de Dinant


   Na noite de 21 para 22 de Agosto, um grupo de ataque rápido alemão, bêbados dirigiu-se a Dinant. Mas a operação foi um fracasso, o pânico instalou-se e pensa-se até que os alemães dispararam sobre eles próprios, descarregando as armas para tudo o que mexia. Em vez de assumirem que o ataque tivesse sido feito pelas tropas francesas  que estavam na margem esquerda do rio, os alemães apontaram a culpa aos civis belgas. Como forma de represália, a expedição terminou na morte de alguns civis, e a queima deliberada de vinte edifícios. 


   Na manhã de 23 de agosto, os engenheiros alemães que tentavam reconstruir as pontes são atacados pela artilharia francesa. Alegando que foram civis a atacá-los, atacaram a cidade com bombardeamentos incessantes. Recebendo ordem para queimar e matar, sem levar em conta idade, sexo ou deficiência, as tropas entraram em acção, praticando verdadeiras atrocidades: numa verdadeira caçada, invadem casas e abrigos. Em mais de vinte lugares, homens são acusados ​​de todos os males, são espancados e mortos a tiro, sem mais delongas. Num total, 1/10 da população é executada  (entre homens, mulheres, crianças e bébés) e 2/3 dos edifícios, públicos e privados, são reduzidos a cinzas! Uma verdadeiro pesadelo!

Créditos: Ville de Dinant

"Massacre at Dinant" -  George Bellows (1918) 
Créditos: Pinterest


Créditos: Pinterest


Créditos: L'avenir.net

Créditos: Pinterest


Créditos: Matélé comme en 14



Créditos: Matélé comme en 14

Créditos: Matélé comme en 14 



   O memorial que visitámos relembra este triste acontecimento.

  


   No interior do memoria é possível ler o nome e a idade das vítimas (uma linha equivale a uma década, e cada bolinha a um ano )


   Pelo lado de fora é possível visualizar cada lugar de execução colectiva, como se de um mapa se tratasse. Cada local está marcado por perfurações, evocando o impacto das balas que atingiram as vítimas e as fachadas das casas. Acreditem que é uma experiência tristemente arrebatadora...
    A oxidação do monumento também tem significado, como se fosse um objecto metálico abandonado, como resultado de guerra. 

 


   Achei que era a oportunidade e o local certo para deixar um PingAmor,  não concordam? 



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