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quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Querida Kitty...

“Terça Feira, 1 de agosto de 1944.

Querida Kitty,"

 Assim começava, há 75 anos, a última entrada de diário de Anne...

 "(...) "Feixe de contradições." foi o fim da minha carta anterior e é o princípio desta. Podes, se faz favor, explicar-me exatamente o que é um "feixe de contradições"? O que significa "contradição"? Tal como tantas palavras, pode ser interpretada de duas maneiras: uma contradição imposta do exterior e uma imposta do interior. A primeira significa não aceitar as opiniões das outras pessoas, saber sempre mais, ter a última palavra; em suma, todas as características desagradáveis pelas quais sou conhecida. A última, pela qual não sou conhecida, é o meu segredo.
   Como já te disse muitas vezes, estou dividida em duas. Um dos lados contém a minha alegria exuberante, a minha irreverência, a minha alegria de viver e, acima de tudo, a minha capacidade de apreciar o lado mais ligeiro das coisas. Quero com isto dizer não ver nada de errado num namorico, num beijo, num abraço, numa anedota picante. Este lado de mim está geralmente à espreita para dominar o outro, que é muito mais puro, profundo e belo. Ninguém conhece o lado melhor de Anne, e é por isso que a maioria das pessoas não me suporta. Oh, consigo ser um palhaço divertido durante uma tarde, mas depois disso fica toda a gente farta de mim durante pelo menos um mês. Na verdade, sou aquilo que um filme romântico é para um pensador profundo: uma mera diversão, um interlúdio cómico, algo para esquecer rapidamente. Nada mau, mas também nada de especial. Odeio ter de te dizer isto, mas porque não hei-de admiti-lo se sei que é verdade? O meu lado mais leve, mais superficial ganhará sempre a dianteira ao lado mais profundo, e, portanto, vencerá sempre. Não imaginas quantas vezes tentei afastar esta Anne, que é apenas metade do ser conhecido por Anne – vencê-la, escondê-la. Mas não resulta, e eu sei porquê.
   Tenho medo de que as pessoas que me conhecem como sou normalmente descubram que tenho outro lado, um lado melhor e mais belo. Tenho medo que trocem de mim, de que me achem ridícula e sentimental e não me levem a sério. Estou acostumada a não ser levada a sério, mas é só a Anne “alegre” que está habituada a isso e o consegue aguentar; a Anne “mais profunda” é demasiado fraca. Se colocar a Anne boa sob as luzes da ribalta, nem que seja por quinze minutos, ela fecha-se na sua concha assim que lhe pedirem para falar, e deixa ser a Anne número um a tratar da conversa. Antes de eu me dar conta, já desapareceu.
   Por isso a Anne simpática nunca é vista na companhia de outras pessoas. Nunca fez uma única aparição, embora seja quase sempre ela a subir ao palco quando estou sozinha. Sei exatamente como gostaria de ser, como sou, ... por dentro. Mas infelizmente só sou assim comigo própria. E talvez seja por isso – não, tenho a certeza de que é por isso – que penso em mim como uma pessoa feliz por dentro, enquanto os outros pensam em mim como feliz por fora. Sou guiada pela Anne pura no meu interior, mas por fora sou apenas uma cabritinha brincalhona puxando pela sua corda.
   Como já te disse, o que digo não é o que sinto, e é por isso que tenho reputação de ser uma doida e uma namoradeira, armada em esperta e uma ávida leitora de romances. A Anne despreocupada ri, dá uma resposta irreverente, encolhe os ombros e finge não se ralar com nada. A Anne reage precisamente da maneira oposta. Para ser completamente honesta, tenho de admitir que na verdade isto é muito importante para mim, que estou a esforçar-me muito para mudar, mas tenho sempre pela frente um inimigo muito mais poderoso.
   Uma voz dentro de mim soluça:
- Vês, foi nisto que tu te tornaste! Estás rodeada por opiniões negativas, expressões consternadas e rostos trocistas, pessoas que não gostam de ti, e tudo porque não ouves os conselhos do teu próprio lado bom".
   Acredita, bem gostava de ouvir, mas não resulta, pois se fico sossegada e séria, toda a gente pensa que estou a preparar alguma e tenho de me salvar com uma piada. Já para não falar da minha própria família, que pensa logo que devo estar doente, me entope de aspirinas e sedativos, me apalpa o pescoço e a testa para ver se tenho febre, me faz perguntas sobre os intestinos e me critica por estar mal disposta. Por fim, não aguento mais. Quando começam todos a cair-me em cima fico zangada, depois triste e, finalmente, acabo com o coração virado do avesso, a parte má para fora e a parte boa para dentro, e continuo a tentar encontrar uma maneira de me tornar naquilo que gostaria de ser, e que poderia ser se... se não existisse mais ninguém no mundo... (...)"

 Tua Anne M. Frank

Na manhã de 4 de agosto de 1944, 25 meses de se terem escondido no anexo secreto, Anne e os restantes ocupantes eram descobertos por agentes da Gestapo…


quarta-feira, 12 de junho de 2019

12 de junho de 1929

   A 12 de junho de 1929, há precisamente 90 anos, nascias em Frankfurt, Anne.



   Também o teu diário nascia nesta data, mas em 1942, no dia do teu 13° aniversário.
"(...) Espero que te possa confiar tudo a ti; o que, até agora, nunca pude fazer a ninguém, e espero que venhas a ser um grande amparo para mim (...)", escreveste.



   Naquele dia, não podias imaginar o impacto que o teu diário iria ter na vida de tanta gente por esse mundo fora. Não sonhavas sequer que, um dia, ele iria fazer parte da lista das "Memórias do Mundo" e declarado património da Humanidade pela UNESCO! Que grande feito, minha amiga!



   Uma ideologia maquiavélica e destrutiva ditou o teu destino, e o destino de tantas outras pessoas.    Mas, tal como desejavas, continuas a viver, querida Anne! A força das tuas palavras é intemporal!



   Onde quer que estejas, este dia é teu! ❤️



"(...)Uma pessoa que não escreva, não sabe o quanto é maravilhoso; eu costumava lamentar-me por não saber desenhar, mas agora estou cheia de alegria por, ao menos saber escrever. E, se não tiver talento para escrever livros ou artigos de jornal, posso escrever só para mim. Mas quero mais que isso. (...) Não quero ter vivido em vão como as outras pessoas. Quero ser útil para as pessoas, mesmo aquelas que não conheci. Quero continuar a viver depois da morte! E é por isso que estou tão grata a Deus por me ter dado este dom que posso usar para me exprimir tudo o que esta dentro de mim. Quando escrevo, consigo libertar-me das preocupações. (...)" 
                                                                                                             (Anne Frank, 4 de Abril de 1944)




quinta-feira, 25 de abril de 2019

E fez-se Abril!




"(...) Este dia é um canteiro
com flores todo o ano
e veleiros lá ao largo
navegando a todo o pano.
E assim se lembra outro dia febril
que em tempos mudou a história
numa madrugada de Abril,
quando os meninos de hoje
ainda não tinham nascido
e a nossa liberdade
era um fruto prometido,
tantas vezes proibido,
que tinha o sabor secreto
da esperança e do afeto
e dos amigos todos juntos
debaixo do mesmo teto (...)"

(José Jorge Letria)


sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Berta, a lagartinha que tinha um sonho

"(...) Berta era uma lagartinha muito especial! enquanto as suas irmãs e amigas gostavam de passar o dia a passear de folha em folha, percorrendo todas os ramos, deslizando de árvore em árvorepara poderem saborear as folhas mai verdes e tenrinhas, Berta passava o dia a sonhar. Sonhava que um dia seria uma bonita e elegante bailarina! (...)"


Assim começa a história da Berta, a lagarinha que tinha um sonho!



 
   Tal como o Tomé, a Berta nasceu de um desafio proposto pela Cláudia, a cabeça e o coração do projecto Yoga entre histórias. 

Se quiserem saber tudo sobre este projecto, comprar os livros, consultar o calendário das sessões de leitura, só precisam de clicar nos links seguintes:






sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Anne Frank - o diário gráfico


  A primeira adaptação para banda desenhada aprovada pela família Frank acabou de ser posta à venda, 70 anos após a primeira publicação do diário de Anne. É um diário gráfico, fiel aos textos da Anne. 
   O meu exemplar já chegou!  não resisti a esperar pelas próximas férias em Portugal e comprei na Wook ! E é encantador!

   Concebido por Ari Folman e David Polonsky, este diário gráfico põe as imagens em diálogo com as palavras, conservando com todo o rigor o quotidiano e a intimidade de uma rapariga judia nos tempos tenebrosos da 2ª guerra. 
   Eu sei que sou suspeita, porque a Anne faz patre da minha essência, mas recomendo mesmo a leitura a todos os que se deixaram encantar e comover pelo diário original

                       
Diário de Anne Frank
Ari Folman & David Polonsky (baseado na obra de Anne Frank)
Editora: Porto Editora
Páginas: 160
Encadernação: capa dura
Dimensões: 203 x 280 x 16 mm
ISBN: 978-972-0-04044-2
 
Podem comprar o livro aqui


Mais detalhes sobre o livro e sobre a Fundação Anne Frank:

http://www.annefrank.ch/graphic-diary-en.html

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O Tomé

   "(...) O jacaré Tomé era o mais recente habitante da lagoa que alagava o vale. Tinha chegado há pouco tempo e ainda não conhecia ninguém por aquelas bandas.
Já tinha tentado fazer amigos por diversas vezes mas, sempre que abria a sua enorme boca para dizer "olá", fugiam todos num ápice. Ninguém se queria aproximar muito de um bicho assim tão assustador! (...)"

    Assim começa a história do livro "O crocodilo que afinal era um jacaré" e o Tomé é a personagem cental da história.

    O boneco Tomé nasceu de um desafio proposto pela Cláudia, uma querida amiga e o coração do projecto Yoga entre histórias.
   Se ainda não conhecem os livros, está mais do que na hora! e partilhem! As vossas crianças e as crianças dos vossos amigos vão adorar!

Deixo-vos a página de FB e o link para o site:
Yoga entre histórias
http://www.yogaentrehistorias.com/


terça-feira, 25 de abril de 2017

Abril




"Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo"

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

quarta-feira, 8 de março de 2017

A propósito do dia da mulher ...


"A mulher não é só casa
mulher-loiça, mulher-cama
ela é também mulher-asa,
mulher-força, mulher-chama

E é preciso dizer
dessa antiga condição
a mulher soube trazer
a cabeça e o coração

Trouxe a fábrica ao seu lar
e ordenado à cozinha
e impôs a trabalhar
a razão que sempre tinha

Trabalho não só de parto
mas também de construção
para um filho crescer farto
para um filho crescer são

A posse vai-se acabar
no tempo da liberdade
o que importa é saber estar
juntos em pé de igualdade

Desde que as coisas se tornem
naquilo que a gente quer
é igual dizer meu homem
ou dizer minha mulher"

(Ary dos Santos) 



sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Viver...


"Viver é apenas sobreviver por etapas" 
                                                            (António Garcia Barreto, "A Mulher da minha vida")

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Encurralados no labirinto


" (...) Passamos a vida inteira encurralados no labirinto,a pensar em como sairemos dele um dia e em como será espetacular, e a imaginar que o futuro nos mantém a andar, mas nunca de lá saímos. Limitamo-nos a usar o futuro para fugir ao presente (...)"

(John Green, "À procura de Alaska)

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Nunca!


"(...) Que nunca te doa o beijo, que nunca te doa o abraço. 
    Que nunca te falte um “bom dia”, um “olá”. E um “amo-te” e um “quero-te” e um “preciso-te”. 
    Que nunca a tua voz se canse de se erguer, que nunca a tua mão se canse de acarinhar. Nunca. 
    Que nunca o teu medo te impeça de andar, que nunca a chuva te obrigue a fugir. 
    Que nunca deixes de gritar se te apetecer gritar, que nunca deixes de cantar se te apetecer cantar.  
   Que nunca te deites debaixo de quem te paga só para teres um salário, que nunca pises a quem pagas só porque és tu quem lhe paga. Nunca. 
   Que nunca te arrependas de querer melhor, que nunca te castres de recusar pior. Que nunca te fartes de aprender, que nunca teimes no que não podes vencer. 
    Que nunca o sonho te pareça grande demais, que nunca um choro se te afigure eterno, que nunca a dor magoar te pareça moderno. Nunca.
    Nunca evites a palavra que tem de ser dita, a violência que tem de ser maldita. 
   Nunca feches a porta a quem te pede, nunca enchas de murros quem te cede. Nunca. 
   Diz nunca ao hipócrita que te diz “vem”, ao sacana que te pede a mão. 
   Diz nunca. 
   E que só por uma vez te canses de viver. Nunca. (...)"




Pedro Chagas Freitas, in "Eu Sou Deus"





terça-feira, 8 de setembro de 2015

Doces dias de praia

   Pensar que há duas semanas estava rodeada deste sol e deste mar. E que ao dia de hoje, já não posso
dar-me ao luxo de deixar o casaco em casa e que os meus pés já se tiveram de habituar a muito custo!) a sapatos fechados.  A vida é dura.. :-) 

















quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Feira do Livro da Ericeira

Não posso passar por uma feira do livro sem trazer companhia para casa. E desta vez foi uma companhia e tanto! O que eu gosto deste senhor e dos seus livros!



   Esta feira decorre até 30 de agosto de, no Parque de São Sebastião. Vale a pena a visita.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Dia Mundial da Poesia


   Em 1999, a UNESCO definiu o dia 21 de Março como o dia mundial da Poesia, com o intuito de promover a leitura, a escrita, a publicação e o ensino da poesia pelo mundo. 
   Por isso, tal um desafio? partilhem comigo um dos vossos poemas preferidos. Aqui fica um dos meus eleitos:
 


 "Há palavras que nos beijam
...
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte"


 (Alexandre O'Neill)

  

segunda-feira, 18 de março de 2013

Feira do livro na Escola Europeia

O livro escolhido pelo G. na feira do livro da escola europeia: parece escrito à sua medida!!!

                                        

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

domingo, 11 de novembro de 2012

É por isso que aqui em casa se contam muitas histórias..



"(...) é um privilégio nós conseguirmos lembrar-nos das vozes dos que tiveram a atenção para connosco e nos leram histórias em criança. Por isso, se um adulto quiser sobreviver mais do que uma geração, conte histórias. Deixe ficar o sedimento vital, o sedimento afetivo que é a história, na memória de uma criança (...)" (António Torrado)
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