sexta-feira, 5 de maio de 2017

Museu da Guerra em Bastogne

   Eu sei.. eu sei que reclamo muito, que digo contantemente que preferia viver em Portugal.. mas não posso negar que, viver no centro da Europa, tem certas vantagens. Como esta de, apenas de carro, chegarmos com bastante rapidez a qualquer lado.
   Se na semana passada escolhemos a Alemanha para um dia diferente, nesta aproveitámos o feriado do 1 de Maio para irmos até Bastogne, na Bélgica. Há muito que lá queria regressar para visitar o  museu da Segunda Guerra, o único que ainda não conheciamos, já que da primeira vez que visitámos a cidade, o mesmo se encontrava encerrado para obras. 




    Toda a acção do museu é-nos apresentada pelos olhos e ponto de vista de quatro personagens: Robert Keane, um soldado americano, Hans Wegmüller, um soldado alemão, Mathilde Devilles, uma professora primária de Bastogne e Émile Mostade, um menino de 13 anos, aluno da professora Mathilde. Soubemos, mais tarde, que algumas destas personagens foram criadas tendo por base pessoais reais. 
    Existem áudio-guias disponíveis em francês, inglês, holandês e alemão.



   A viagem por este museu começa com uma abordagem profunda a todos os eventos e circunstâncias que conduziram à 2ª Grande Guerra e como é que ela se foi desenrolando. 









   O ponto alto é a reconstituição da Batalha das Ardenas (uma batalha decisiva para a derrota da Alemanha). 



  
   Em Dezembro de 1944 os exércitos aliados já haviam libertado grande parte da Europa Ocidental, fazendo as tropas alemãs retroceder.  Mas Hitler negava-se a aceitar a derrota. Meses antes, havia planeado um ataque  através da floresta das Ardenas. O objetivo era capturar os portos da Antuérpia, e isolar as forças aliadas de sua base de mantimentos.  
   Para chegar a região desejada antes que os Aliados pudessem reagrupar-se e usar toda vantagem da sua superioridade aérea, as forças alemãs tinham que tomar as principais estradas da Bélgica. Como sete delas passavam por Bastogne, o controle dessa cidade passou a ser prioridade para os alemães.  
   O  ataque, iniciado em 16 de dezembro de 1944, apanhou os Aliados completamente desprevenidos: depois do desembarque na Normandia, das sucessivas vitórias que iam obrigando as tropas alemãs a recuar, já davam a guerra quase como terminada e ganha. Por isso ninguém estava à espera. Nessa madrugada, começava a batalha de Ardenas, a derradeira contra-ofensiva de Hitler na Segunda Guerra Mundial. 
   O avanço alemão foi vigoroso e veloz, conseguindo penetrar nas linhas do inimigo e conquistar algumas cidades, capturando dezenas de prisioneiros. Apenas o mau tempo do inverno rigoroso na região atrasava as operações. 


   O General Eisenhower enviou para as Ardenas duas divisões aerotransportadas que estavam na reserva do Grupo de Exército Aliado: os paraquedistas da 101° Divisão aerotransportada (famosos por nunca terem perdido uma batalha e peritos em estratégias para anular o inimigo) e o 705° batalhão anti-tanque. 
Ambos chegaram a Bastogne na madrugada do dia 19 de dezembro.  Foram mandados para a linha a leste de Foy. Lá chegados, cavaram trincheiras pra se proteger, cobrindo-as com ramos de árvores caídos de ataques anteriores. 
    No dia 21, Bastogne ficou cercada e os soldados encurralados nas matas das Ardena, sem mantimentos e munições. O mau tempo e a neblina que pairava, impediam a chegada de mantimentos por via aérea.


   No dia seguinte, o tempo melhorou e os mantimentos  foram lançados de páraquedas, o que garantiu a resistência. No dia 23,  o tempo abriu e permitiu a realização de ataques aéreos implacáveis contra as tropas alemães. 

   Na véspera de Natal,  a ofensiva foi detida devido às grandes perdas de soldados e veículos. Para dificultar, o avanço alemão fora tão rápido, que se tinham distanciado das linhas de suprimentos, causando escassez de combustível. 
   No dia 26, o 3º Exército norte-americano, do General Patton, vindo do sul, lançou-se contra o inimigo ao redor da cidade e terminou, definitivamente, com o cerco, obrigando as tropas alemãs a recuar e a abandonar a região.
   Esta história é contada na minissérie Band of Brothers”, de Steven Spielberg e Tom Hanks.


   Outro momento emotivo é a reconstituição dos bombardeamentos na cidade de Bastogne: dentro de um café, vivemos a experiência do que terão sentido todos os civis que se abrigaram na adega durante aquelas horas intermináveis e terríveis.


O que achei do museu? são quase 3 horas de emoção! é um local a visitar! bastante interativo, com uma série de peças originais da época, de fotografias, e de testemunhos de sobreviventes...







   No fim só pensava no bom que é poder proporcionar aos meus pequenos estas experiências! Melhor que aprender história pelos manuais, é poder ir aos locais onde tudo aconteceu. Ter a oportunidade de visitar espaços como este, sensibiliza-nos e faz-nos pensar ... somos pessoas diferentes, quando regressamos a casa . .. 

  E como o saber não ocupa lugar, deixo-vos aqui algumas curiosidades:



- O General Patton está sepultado no cemitério americano, aqui no Luxemburgo, local que já tivemos oportunidade de conhecer (em breve farei um post sobre isso). É o único general americano de 5 estrelas enterrado fora dos Estados Unidos, porque ele preferiu ser enterrado junto aos seus homens. 




- Voie de la Liberté/ Liberty Road Estrada da Liberdade - é um caminho que marca a rota das tropas aliadas desde o Dia D (6 de Junho de 1944). Começa na Normandia, em Sainte-Mère-Église, atravessa para Metz (França), passa pelo Luxemburgo e termina  em Bastogne (km 1147) . Cada km está devidamente assinalado com um marcador. Aqui no Luxemburgo há um perto da Gare. Agora vou andar mais atenta e tentar descobrir outros






 - Esta história é contada no museu, na reconstituição dentro do café. Comoveu-me verdadeiramente e pelos vistos é verdadeira: em janeiro de 1945, o Sr. Schmitz, um professor primário de Champs (perto de Bastogne) encontrou o seguinte texto, escrito no quadro preto da sala de aula, por um oficial alemão  

"(...) May the world never again live through such a Christmas night. Nothing is more horrible than meeting one's fate, far from mother, wife and children. Is it worthy of man's destiny to bereave a mother of her son, a wife of her husband, or children of their father? Life was bequeathed to us in order that we might love and be considerate to one another. From the ruins, out of blood and death shall come forth a brotherly world (...)"




 

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