terça-feira, 6 de julho de 2010

Os Direitos da Crianca - Matilde Rosa Araujo



I
A criança,
Toda a criança.
Seja de que raça for,
Seja negra, branca, vermelha, amarela,
Seja rapariga ou rapaz.
Fale que língua falar
Acredite no que acreditar,
Pense no que pensar,
Tenha nascido seja onde for,
Ela tem direito…

II
… A pensar para o homem a
razão primeira da sua luta.
O homem vai proteger a criança
Com leis, ternura, cuidados
Que a tornem livre, feliz
Quem pode deixar crescer
Livremente o coração
E o pensamento.
Esse nascer e crescer e viver assim
Chama-se dignidade.
E em dignidade vamos
Querer que a criança
Nasça,
Cresça,
Viva…



III
… E a criança nasce
E deve ter um nome
Que deseja o sinal dessa dignidade.
Ao Sol chamamos Sol
E à Vida chamamos Vida,
Uma criança terá o seu nome também.
E ela nasce numa terra determinada
Que a deve proteger,
Chamamos Pátria a essa terra,
Mas chamemos-lhes antes
Mundo…

IV

… E nesse Mundo ela vai crescer.
Já sua mãe teve o direito
A toda a assistência que assegura um nascer perfeito.
E, depois, a criança nascida,
Depois da hora radial do parto,
A criança deverá receber
Amor,
Alimentação
Casa,
Cuidados médicos,
O amor sereno de mãe e pai.
Ela vai poder
Rir,
Brincar,
Crescer,
Aprender a ser feliz…



V
… Mas há crianças que nascem imperfeitas
E tudo devemos fazer para que isso não aconteça.
Vamos dar a essas crianças um amor maior ainda.

VI
E a criança nasceu
E vai desabrochar como
Uma flor,
Uma árvore,
Um pássaro,
E
Uma flor,
Uma árvore,
Um pássaro
Precisam de amor - a seiva da terra, a luz do Sol.
De quanto amor a criança não precisará?
De quanta degurança?
Os pais e todo o Mundo que rodeia a criança
Vão participar na aventura
De uma vida que nasceu.
Maravilhosa aventura!
Mas se a criança não tem família?
Ela tê-la-á, sempre: numa sociedade justa
Todos terão sua família:
Nunca mais haverá uma criança só,
Infância nunca será solidão.



VII
E a Criança vai aprender a crescer.
Todos temos de a ajudar!
Todos!
Os pais, a escola, todos nós!
E vamos ajudá-la a descobrir-se
A si própria
E os outros.
Descobrir o seu mundo,
A sua força,
O seu amor,
Ela vai aprender a viver
Com ela própria
E com os outros:
Vai aprender a fraternidade,
A fazer fraternidade,
Isto chama-se educar,
Saber isto é aprender a ensinar.



VIII
Em situação de perigo
A criança, mais do que nunca,
Está sempre em primeiro lugar…
Será o Sol que não se apaga
Com o nosso medo,
Com a nossa indeferença:
A criança apaga, por si só,
Medo e indiferença das nossas frontes…



IX
A criança é um mundo
Precioso
Raro.
Que ninguém a roube,
A negocie,
A explore
Sob qualquer pretexto.
Que ninguém se aproveite
Do trabalho da criança
Para seu próprio proveito.
São livres e frágeis as suas mãos.
Hoje:
Se as não magoarmos
Elas poderão continuar
Livres
E ser a força do Mundo
Mesmo que frágeis continuem…



X
A criança deve ser respeitada
Em suma,
Na dignidade do seu nascer,
Do seu crescer,
Do seu viver.
Quem amar verdadeiramente a criança
Não poderá deixar de ser fraterno:
Uma criança não conhece fronteiras,
Nem raças,
Nem classes sociais:
Ela é o sinal mais vivo do amor,
Embora, por vezes, nos possa parecer cruel.
Frágil e forte, ao mesmo tempo.
Ela é sempre a mão da própria vida
Que nos estende,
Nos segura
E nos diz
Sê digno de viver!
em frente!

Matilde Rosa Araújo

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